Sobre Mim

Sou escritora e confeiteira.

Escrevi o livro ” Segredo da Sra Greey”

Leia abaixo o resumo do primeiro capítulo:

O Segredo da Sra Greey

O centro da Cidade de Florentis fica a uns quinze minutos da pousada, para quem vai de carro. Quando entrei na rua principal, fiquei impressionado com a quantidade de lojas de perfumes que havia naquele lugar. Era praticamente uma ao lado da outra.

Pedi ao taxista que me deixasse em frente a uma dessas lojas. Fiquei admirando primeiro a vitrine que, além de perfumes, exibia também sabonetes, óleos e vidrinho com essências.

Resolvi entrar na loja e comecei a conversar com uma das vendedoras, a Srta. Karine. Ela me mostrou vários produtos e depois contou-me algumas histórias misteriosas da “Cidade das Essências”.

Primeiro, perguntei à vendedora qual era o perfume que mais agradava às mulheres que visitavam a cidade. A Srta. Karine respondeu que o perfume mais cobiçado pelas mulheres, independentemente de serem moradoras ou visitantes, era o Perfume Florentis, o qual levava o nome da cidade.

E ela continuou:

– Segundo os mais antigos, esse perfume foi criado pela avó da Sra. Greey, uma velha louca que mora à beira do lago. A avó dela preparou essa fragrância especialmente para sua filha, que estava perdidamente apaixonada por um visitante. Depois de pronto o perfume, uma das Selenas, amiga íntima da avó da Sra. Greey, que era uma mulher muito ambiciosa, roubou a fórmula e entregou-a à um comerciante que em troca prometeu casar-se com ela.

– O comerciante e a Selena Irene casaram-se e enriqueceram vendendo esse perfume dentro e fora da cidade. Até hoje, a família desse comerciante prepara todos os produtos Florentis de forma artesanal.

– Os mais velhos contam, ainda, que a avó da Sra. Greey jamais perdoou a amiga e que, depois disso, criou uma fórmula ainda melhor do que a do Florentis e que somente às mulheres de sua família foi revelado o segredo – concluiu a vendedora.

Srta. Karine fez uma pausa e perguntou-me se eu estava à procura de um perfume para presentear a minha esposa. Respondi a ela que não era casado.

Ela insistiu na abordagem, perguntando-me, então, se era para minha noiva ou para minha namorada. Eu sorri e disse a ela que não era noivo e tampouco tinha namorada.

Srta. Karine sorriu e falou que, após o trabalho, ela e suas amigas iriam para um barzinho em um pequeno shopping da cidade e convidou-me para ir encontrá-las mais tarde.

Eu não garanti que iria, mas agradeci o convite dizendo que talvez desse uma passadinha para conhecer o bar. Acabei comprando um kit do perfume Florentis, agradeci a atenção dispensada pela Srta. Karine e, quando estava saindo da loja, ouvi ela comentar com a outra vendedora que, naquela noite, usaria um perfume especial.

Já do lado de fora da loja, fui andando e rindo sozinho. Como as mulheres podem acreditar nessas bobagens? Tudo bem que o homem goste de uma mulher cheirosa, no entanto não é o perfume que vai fazer com que ele se apaixone por ela. “Mulheres!”.

Passei por várias outras lojas e uma coisa despertou a minha atenção: todas elas vendiam o perfume Florentis. Isso me deixou um pouco intrigado, mas resolvi fazer essa pesquisa mais adiante e continuar o meu passeio.

Enquanto eu andava, lembrava-me de minha mãe e também da Sra.Greey. Não sei porque, mas eu não conseguia esquecê-la um minuto sequer.

Após andar alguns minutos, cheguei a uma feirinha muito interessante, onde várias mulheres, que se diziam descendentes das Selenas, vendiam perfumes caseiros. Em tom bem alto elas anunciavam que tinham as melhores poções de amor e falavam coisas do tipo: – tenho o perfume do Amor… o perfume da Paixão… o perfume para arranjar um bom casamento… aceito encomendas… etc. etc. etc.-. Eu andava pela feirinha e me divertia com aquelas mulheres, que faziam de tudo para vender seus produtos. Um pouco mais adiante, quase no final da feirinha, uma senhora beirando uns 70 anos olhava-me fixamente. Ela vendia essências e ervas, mas não frascos de perfumes prontos para serem usados, como as outras.

Intrigado e curioso com aquele olhar, me aproximei e comecei a fazer-lhe algumas perguntas como se eu fosse um comprador comum.Ela respondia a cada uma das minhas perguntas, mas continuava a me olhar fixamente nos olhos. Ela falou sobre algumas ervas que eram usadas para combater e evitar os males causados pela bronquite, curar e prevenir doenças no estômago, rins, vesícula e até algumas que eram recomendadas para tratamentos de pele. Perguntei-lhe sobre as essências e pedi a ela que me dissesse qual delas era a mais cheirosa e a mais usada.

Ela me olhou firmemente e falou:

– A mais cheirosa é aquela que só o seu coração pode sentir, ao passo que a mais usada é aquela que todos querem ter, mas não sabem realmente qual é a sua verdadeira utilidade. Ao ouvir sua resposta atentamente, comentei que não a havia entendido e pedi que me explicasse o que queria dizer exatamente com aquelas palavras.

A velha senhora me olhou e disse que o cheiro do passado e a essência do futuro que eu estava procurando encontravam-se dentro do meu coração e que muito em breve eu compreenderia o significado de suas palavras.

Eu fiquei agitado com a resposta que ela me dera e por uns segundos fiquei parado sem saber o que falar.

– A mais usada nem sempre é aproveitada no real propósito para qual a natureza nos disponibilizou. O Florentis, por exemplo, é usado para deixar as mulheres cheirosas e seus maridos, amantes, noivos ou namorados apaixonados. No entanto, para nós conhecedoras de sua verdadeira utilidade, trata-se de uma essência que, se usada de forma correta, é excelente para manter os insetos longe. É muito boa para

deixar a casa com um cheiro acolhedor e, se usada combinada com um outro ingrediente, torna-se um excelente remédio para o tratamento de queimaduras – continuou a velha senhora com seus esclarecimentos a respeito das essências e sua utilidade.

De repente, ela pára e olha novamente dentro dos meus olhos e diz:

– Se quiser saber mais sobre as essências, procure a Sra. Greey. Ela poderá lhe dar muitas respostas sobre esse assunto.