Reprodução da Notícias na Mídia: Jornal das 20h00

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Reprodução da Mídia

Jornal das 20h00

Apresentadora: Bete Iris

Bite Iris, âncora 2: Boa noite! Eu sou Bete Iris. Estou substituindo nosso âncora 1 que está de férias. Está começando agora o Clube em pauta. Vamos continuar com a Laila Buganvílea em nosso estúdio. Nossos comentaristas vão acompanhar conosco este dia histórico na ONU e também complicado para o Brasil.

Laila Buganvílea: – Voltou o link. Quem vai falar agora é o chanceler para os Países Pobres, João de Deus.

Cerimonialista: Senhoras e Senhores, com a palavra o chanceler da ONU, João de Deus

Chanceler João de Deus: – Senhor Presidente da Assembleia Geral da ONU, senhor Secretário-geral das Nações Unidas, senhor Presidente do Conselho dos Chanceleres de Haia, doutores Chanceleres, senhoras e senhores, jovens Chanceleres Mirins e jornalistas aqui presente, antes de me pronunciar, gostaria de pedir aos jovens Chanceleres Mirins que trocassem de lugar com os chanceleres que estão deixando a ONU hoje. Muito obrigado!

Foi um longo e árduo caminho, senhores Chanceleres. Vi vocês crescerem, tornarem-se homens e mulheres, estudantes dedicados e com um futuro pela frente. Quero dizer ao mundo que alguns destes jovens sobreviventes já estão formados e outros estão terminando a Universidade. Temos três advogados formados, dois deles estão na Escola de Chanceleres e um já é chanceler júnior. Duas Jornalistas; dois diplomatas, três futuros engenheiros e duas futuras médicas que estão terminando a universidade. Por favor, Douglas Moura, dê um passo à frente.

O Douglas me deu muito trabalho no início. Ele colocou na cabeça que eu tinha que exigir que os parlamentares do seu país o deixassem falar na Tribuna. E foi muito complicado porque eu explicava a ele que os parlamentares teriam de convidá-los. Que nós, na ONU, não podemos exigir, apenas sugerir, pedir e muitas vezes implorar, como no caso de guerras. Não temos vergonha de pedir, pedir, pedir e pedir a paz! Pedimos quantas vezes forem necessárias. Então, eu consegui que os Parlamentares permitissem que eles falassem na Tribuna. Como era o orientador deles, pedi que eles deixassem que eu acompanhasse os meninos como observador.

E quando o Douglas começou a falar, muito indignado com os parlamentares, fiz um sinal para se acalmar. E o que ele fez? Falou para os Parlamentares que eu estava dizendo para ele falar diplomaticamente, então, ele continuou.

“Como posso falar diplomaticamente se estou zangado? Estamos muito zangados. Uma guerra aconteceu a seis horas daqui. Pessoas morreram, mulheres e moças foram violentadas, pais perderam seus filhos. Temos mais de trezentos órfãos, temos meninos e meninas que tiveram seus membros amputados, outros ficaram cegos, outros ficarão em cadeira de rodas para o resto da vida. E eu tenho de falar diplomaticamente? Para onde o parlamento estava olhando que não evitou essa guerra?”

E depois que ele fez essa pergunta, fez-se silêncio. Então, eu fiz um sinal para ele continuar e terminar o raciocínio dele. Disse ele:

“Eu não estou aqui apontando o dedo para vocês como se fossem os únicos culpados. Toda a sociedade é culpada porque não vigia seu governo. Hoje, vim pedir aos parlamentares que cobrem do atual Presidente, por favor, que construa o túnel que vai diminuir a distância entre a Capital e a região Norte. E, por fim, gostaria de pedir também que vocês nos recebessem uma vez por ano para expor nossas ideias sem interferência de políticos que ficam dizendo o que devemos falar ou não. Apenas nos dê a oportunidade de fazer parte da reconstrução do nosso país. Muito obrigado!”

E ele foi muito aplaudido. Não por todos, mas muito aplaudido. Quero apresentar a vocês o Embaixador de Nova Viena, Douglas Moura. Com autorização da ONU, você tem os meus dois últimos minutos para falar.

Douglas Moura: Obrigado, senhor Chanceler! Quero agradecer à ONU em meu nome e nos dos meus amigos chanceleres, que estão deixando “esta casa hoje”, pela oportunidade de crescermos dentro de um ambiente que mostra a realidade do mundo. A ONU pode não ser perfeita, mas ela não é perfeita porque nós humanos somos imperfeitos. Temos dificuldades de conciliação mesmo dentro desta casa.  Nosso país passou por uma guerra regional. A guerra é estúpida, cruel, desumana e atinge principalmente aqueles que herdarão um país dilapidado econômica e socialmente. Dirigentes de países que abusam do poder são aqueles que mais provocam guerras. Seja por discussão de territórios, por ganância, por religião, por divergências políticas, entre outros motivos de que eles se utilizam para justificar uma guerra. O que sabemos por nossa própria experiência é que no fim, por traz de todos esses supostos motivos, existe um narcisista que quer controlar as pessoas. Nós, Chanceleres e o Povo de Nova Viena, somos sobreviventes de uma guerra e conseguimos ir em frente. Somos muito gratos por estarmos vivos, livres e em nosso país.

Triste é o fim dos refugiados que saíram de diversos países em guerra, que estão no meio do caminho. Não podem voltar atrás e muito menos seguir em frente.

Ilustríssimo senhor chanceler João, foi uma honra ter tido sua pessoa como orientador.

CJD: A honra foi minha.

Laila Buganvílea: Vai haver outra pausa de cinco minutos e o próximo a falar será o chanceler das Islândia, do Conselho de Chanceleres de Haia. Foi bonito o Chanceler João de Deus ceder seus dois minutos ao embaixador de Nova Viena.

BI: – Estão todos os comentaristas com os dedos levantados. Temos menos de cinco minutos. O que você achou, poeta?

Poeta: Foi muito interessante, a fala do embaixador de Nova Viena. Ele não teve medo de falar da própria dificuldade da ONU. Embora tenha falado em entrelinhas, deixou claros os abusos vindos dos países que têm poder de veto na ONU e que fomentam a guerra. O Embaixador tocou no assunto que mais preocupa as Nações Unidas, os refugiados. Depois da decisão da Hungria, os refugiados que entraram vão ter de sair e aguardar a tramitação do seu pedido. E, pior: caso não seja aceito, além de serem enviados para o país vizinho, ainda poderão arcar com os custos de detenção, que é onde ficam localizados os containers na zona de trânsito. E essa questão será mais um desafio para a ONU.

BI: Pois é, Poeta, é uma situação muito triste para os refugiados. Thaís Freya e Helena, um minuto para cada uma

Helena Forsythia: Olha, eu gostei do Embaixador, mas gostei mesmo foi do João de Deus. Eu concordo com a Laila. Foi muito elegante da parte dele ceder seus dois últimos minutos. Me parece que o Embaixador não teria espaço para se pronunciar.

BI: Thaís Freya, sobrou um minutinho para você.

Thaís Freya: Eu fiquei muito impressionada com a embaixadora Dalila e a história da menina. Fiquei imaginando o sofrimento dessa menina, documentando tamanha crueldade. Não consigo nem pensar o tamanho de sua aflição e coragem em fotografar aquelas atrocidades.

BI: É como a Embaixadora falou: “uma menina virou mulher adulta em menos de uma hora”. Essa menina teve a infância roubada por uma guerra. E eu fico pensando nas crianças refugiadas que ainda não conseguiram um lar. Muito triste!

LB: Voltou o link. Agora vai falar o chanceler das Islândia, do Conselho de Chanceleres de Haia. Senhoras e Senhores, com a palavra o Senhor Presidente do Conselho dos Chanceleres de Haia.

Chanceler das Islândia: – Senhor Presidente da Assembleia Geral da ONU, senhor Secretário-geral das Nações Unidas, doutores Chanceleres, senhoras e senhores, jovens Chanceleres Mirins e jornalistas aqui presente. Em 2004, um jovem chanceler procurou o Conselho dos Chanceleres e nos apresentou um projeto estranho, dizendo que era possível pesar um país no intuito de observarmos quais países eram mais desiguais juridicamente. Olhamos para ele e falamos que não seria possível esse tipo medição, pois nossas pesquisas eram baseadas em parâmetros diferentes. Além do conhecimento das Leis de outros países, os chanceleres relatores da ONU nos fomentavam com informações sobre países mais desiguais socialmente. No entanto, aquele projeto ficou em nossos pensamentos. Resolvemos pedir ao jovem chanceler que nos mostrasse como seria essa pesagem.

Ele veio até o Conselho com uma mala. Tirou dela uma balança jurídica diferente; depois, uma barra de ouro, moedas de ouro e uns balõezinhos estranhos. Olhou para mim e perguntou: “Excelência, me dê dez decisões igualitárias do seu país”. Confesso que fiquei confuso na hora e tive de lembrar de algumas decisões muito rapidamente.

Após passar-lhes tais informações, apertou uma alavanca atrás da balança dez vezes. E, na extremidade de cima, apareceu um número que indicava 1k. Logo depois, colocou a barra de 1k de ouro no prato ao lado direito da balança e ela ficou equilibrada. Naquele momento, começamos a entender o projeto e perguntamos a ele como pesaríamos a desigualdade jurídica.

E o jovem chanceler respondeu: “Com decisões que versam sobre o mesmo tema e que contenham tipificações semelhantes, mas que tenham entendimentos jurídicos diferentes pelos Magistrados. E isso pode prejudicar um autor ou réu, dando benefícios a alguns e penalidades diferentes a outros”. E o chanceler nos deu um exemplo em um caso criminal: “Dois réus são condenados por homicídio culposo (abuso de álcool ao dirigir) no mesmo país e na mesma instância. Ambos levaram uma pessoa à morte. Um foi condenado a dez anos de prisão com direito à condicional; outro, a dois anos e não permanece preso nem seis meses.

Nesse caso, há gritante desigualdade jurídica. Então, a punição para a balança jurídica em desfavor ao país vale o mesmo peso da lei: 1k. É lógico que os réus podem recorrer; a questão é saber quanto tempo precisará um juiz de uma instância superior para avaliar e conceder uma pena menor ou mantê-la. Seria nesses casos que poderíamos punir os países, colocando cada um no seu devido lugar”.

Resolvemos levar o projeto à Corte de Haia. Pedimos pareceres a juízes de diversos países. Consultamos Supremas Cortes e testamos o projeto por mais de seis anos. Então, a partir de 2011, com autorização da corte de Haia, começamos a pesar os países e listá-los como menos desiguais e mais desiguais. De 1 a 100, os países são menos desiguais; de 101 a 193, são mais desiguais.

É importante explicar aos Senhores e Senhoras Chanceleres presentes que pesar um país é o parâmetro que usamos para lista-los como menos desiguais e mais desiguais entre a lista dos 193 países aliados. Não entram nesta lista os membros Observadores. Cidade do Vaticano, palestina e a Saara Ocidental que mantêm laços diplomáticos com a ONU.

Os países são pesados de 1g a 1k de ouro e pesos quânticos de 10 a 50g. Durante as pesagens, a tolerância da desigualdade são observadas com os seguintes critérios: de 1 a 101, os países estão dentro do conceito da normalidade jurídica; de 201 a 300, figuram entre os mais desiguais, porém toleráveis; de 301 a 400, são mais desiguais e já entram na linha do limite da tolerância; de 401 a 500, os países entram na lista de possível denúncia de desigualdade jurídica; se passar 501 pesos, é denunciado automaticamente. Todos os países ficam em observação durante dois anos. A próxima pesagem Oficial será em 2018.

Acreditamos que hoje colocaremos cada país no seu lugar juridicamente. Nosso objetivo não é denunciar os países, mas ajudá-los a melhorar seu senso de Justiça. Nosso desejo é que, quanto mais o país for igualitário juridicamente, menos desigual ele seja socialmente. Sempre existirão ricos e pobres. E ricos continuarão podendo pagar melhores advogados; entretanto, quando há um entendimento jurídico mais equilibrado, as penalidades serão menos desiguais.

Pensamos nesse projeto como um avanço no entendimento de que é inconcebível que um país que esteja entre as oito ou vinte maiores economias do mundo tenha tanta desigualdade social. Não faz sentido e não tem lógica estar naquela posição econômica.

Hoje, vocês conheceram, pelo documentário da Fundação Orbi Institute, um pouco de Nova Viena, um país pequeno que se reinventou, cresceu economicamente e não está entre os países mais ricos. O país optou por adequar sua legislação aos anseios do povo. Ficou perfeito? Não, mas já é um bom começo.

Obrigado a todos! E, para alegria dos vienenses aqui presentes, vamos começar a pesagem com a presença de dois chanceleres auditores: um chanceler convidado e outro que vai pesar Nova Viena, Philipe Ferry.

LB: Teremos um intervalo de 10 minutos. A balança está a nossa direita do vídeo. Difícil é saber qual deles é o Chanceler Philipe Ferry.

BI: – Vamos ao intervalo e voltamos já

[Intervalo]

Acesse o retorno do intervalo do Jornal das 20h00 com Bete Iris para conhecer o final desta história

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